quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Fada dos Dentes

Alice passou duas noites com febre. diagnostiquei: banzo de avó.
Na quinta, último dia que fiz a faxina bucal, estava tudo ok. Na segunda, quando fui faxinar a boquinha novamente, tinha um dentão bem atrás do dentinho de leite.
Desconfiei que era só retirar o dentinho de leite e beleza, mas confesso que entrei em pânico e fiquei imaginando tratamentos dentários cheios de ferrinhos, eugenol e barberagens ortodônticas. Bad trips a parte, a retirada do dente foi super tranquila. Quando a dentista começou a explicar o que ia acontecer, a espertinha da Alice adiantou-se: "_Eu já sei. Vai colocar uma pomada de laranja e dar uma picada e tirar o meu dente. A Donila me ensinou..."
E assim fez-se. Só que a pomada era de tutti fruti.
O dentinho de leite foi colocado em uma linda caixinha azul em forma de dente e colocado em baixo do travesseiro para a tal da Fada dos Dentes.
A Fada dos Dentes estava exausta, sua vida tem andado a mil; muitas funções acumuladas e escrevendo uma dissertação, sonecou, dormiu e perdeu o trem das fadas, chegou no meio da tarde e junto com uma grana deixou o bilhetinho:

"Querida Alice,
desculpe pelo atraso, mas tirei uma soneca e perdi o trem das fadas. Como recompensa, deixo para você, um dólar.
Você está linda com uma janelinha!

Um beijo,

Fada dos Dentes".

Era o mínimo que ela poderia fazer depois da carinha de decepção que a pequena fez ao constatar que a Fada não tinha passado.

"_ Alice, quem te deu esse cavalinho?
_ Foi o Papai Noel!"

sábado, 12 de dezembro de 2009

Redescobrindo Leminski

sossegue coração
ainda não é agora
a confusão prossegue
sonhos a fora

calma calma
logo mais a gente goza
perto do osso
a carne é mais gostosa

Paulo Leminski

domingo, 22 de novembro de 2009

Minha consciência está negra

Na sexta não li o jornal, ouvi rádio nem assisti Tv, então, o dia da consciência negra ia passar batido, mas na hora feliz, minha amiga chega contando o caso: "hoje fui parabenizada por um colega de trabalho".
Como ela havia substituído a chefe que estivera de férias, perguntei se os parabéns eram pelo belíssimo trabalho que ela havia desempenhado.
Mas os parabéns eram pelo dia da consciência negra.
Minha amiga, rápida no gatilho, disparou ao cara que ficou pálida: "Mas eu sou a consciência negra? Não? Então vá dar os parabéns para ela!"
Quase morremos de rir!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Nostalgia

Ontem, participei da solenidade de formatura do curso técnico que sou professora.
Ver aqueles adolescentes embecados e emperequitados, com suas orgulhosas famílias me bateu uma saudade...
Minha formação primeira também foi técnica.
No meu período efusivo de formação de conceitos, o curso técnico teve tremenda importância.
A primeira vez que manipulei um xampú no laboratório da escola, me bateu tão forte, que naquele momento, eu resolvi que queria trabalhar no ambiente do laboratório.
Aquela aula, de certa maneira, me fez decidir sobre como eu iria trampar na minha vida adulta. E assim foi... meu trabalho, sempre foi ligado aos laboratórios da vida. Hoje, quase duas décadas e muitos acontecimentos após, eu trampo com cosméticos e laboratórios. Gracejos delicados e cíclicos da vida?
A solenidade de ontem me fez relembrar o dia da minha formatura do técnico.
Esse dia foi muito especial e adorei relembrá-lo.
A solenidade ocorreu no teatro municipal da cidade que estava lotado por parentes e amigos.
O orador era meu grande amigo e antes da sua fala eu o presenteei com um cartão que, entre outros escritos, tinha a letra da canção, Por enquanto, da Legião Urbana.
Meu amigo foi ótimo na fala de praxe. Agradeceu aos pais, professores, amigos e homenageou um grande amigo que havia falecido no segundo ano do curso. O que me surpreendeu e emocionou foi quando ele, frente ao microfone e todo o teatro, começou a cantar a canção do cartão, assim, de improviso, sem banda... e o teatro todo cantou:
"mudaram as estações, nada mudou...
Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre, sem saber, que o pra sempre
Sempre acaba..."
Nossa, foi o máximo! Pena que há 20 anos, os compactos aparelhos eletrônicos que filmam não existiam... Sei que é impossível sentir a mesma emoção do acontecimento, mas gostaria de contar com uma memória artificial desse momento.
Minha memória natural relembrou o dia, o gosto de emoção da canção e outros sabores que ocorreram na noite, na confraternização informal dos queridos amigos.
Derreti de nostalgia......

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Finados

Comecei este blog num dia de finados. Um sentimento de tradição se apodera de mim e me sinto compelida a postar algo nesta data. Hoje achei que ia passar em branco, corromper, mas dois esbarrões digitais me convenceram a contar uma história. Primeiro, dois grandes amigos, muito, muito especiais e de longa data fazem aniversário hoje e depois, esbarrei no blog do André Forastieri com um post sobre túmulos de gente famosa. Resolvi contar uma história de grandes amigas, numa aventura em busca de um túmulo especial.

Cinco amigas foram à Rússia, para participar do congresso do autor estudado, respeitado, amado.
7 de Novembro, aniversário de uma das amigas. Depois de um evento tradicional, sobre o qual não me recordo, resolveram ir comemorar o aniversário da amiga no cemitério, mais precisamente, no túmulo do autor amado.

E despencaram para o cemitério. Fazia frio e a caminhada não foi curta. A mais experiente, precavida, pelo caminho reparou num bar. Ao chegarem, foram informadas pelo guarda que não poderiam entrar porque o cemitério fecharia em meia hora. Explicaram para o guarda que haviam viajado meio mundo para ver aquele túmulo tão especial à elas. Indicando a praça vermelha como melhor programa, o guarda concordou com a entrada, desde que elas comprassem flores. A flores foram compradas e a tarde começou a cair. O grupo separou-se para ampliar a linha de procura do túmulo. Fazia muito frio e cemitério estava cheio de corvos.

Pouquíssimas foram as vezes que eu procurei um túmulo na minha vida, mas confesso que em nenhuma ocasião foi uma tarefa fácil. Imagina procurar um túmulo com a inscrição: Лев Семёнович Выготский
Encontraram o túmulo, coberto das folhas secas das árvores de ébano. Cuidadosamente recolheram algumas folhas que estavam sobre o túmulo e as trouxeram entre as folhas de seus livros.
O que sentiram? O que procuravam?

Na volta, a neve cai. O bar espreitado foi bom refúgio. Abrigadas, comemoram a vida e esquentam-se com vodca.

A vida é bela e viver é bom! (Vladimir Maiakovski)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Eddie Spaghetti e Jordan Shapiro

 
Posted by Picasa

"eu não sei dizer nada por dizer..."

"então eu escuto"

e escrevo textos com maquiagem acadêmica.
Tanta coisa interessante rolando no mundo como a gripe da vaca looouca, uops, a suína, a proibição careta do fumo em são paulo (vota no Serra filhodaputareacionário, vota, vota) e uma carta anônima no meu condomínio acusando a síndica de sumir com 15 mil reais e eu aqui... chapada meio ébria na sexta feira, depois de uma semana hard core quase sem sono sem vontade de escrever sobre nada disso e saudosa da minha faceta imagética esquecida neste esquecido blog.
Então vou escrever sobre o show do Eddie Spagetti que rolou fim de semana passado em sp.
Do caralho! O Eddie é o vocalista da maior banda de rock de todos os tempos (título dado por eles mesmos) o Supersuckers.
Depois de perder toda a sua grana naquela pirâmide maluca, o Eddie cai na estrada durante as férias da banda. O show foi ótimo, ele é estiloso, cool simpático. Chamou a platéia para o palco http://www.youtube.com/watch?v=YKPxhEDeadU e tinha guiness no boteco. Demais!
Sexta feira, primeiro dia da lei autoritária do /serra e todas as carteiras de cigarro foram confiscadas na entrada do bar. Um horror! Quem prima pela saúde não está num show de rock as duas da matina! Porra! "Festa estranha com gente esquisita" A galera alternativa estava poser demais para o meu gosto mas o tchá tchá tchá do Eddie e 3 camisetas mais um cd por cinquentão baixaram meu mau humor.
Sabadão foi outra coisa, galera rock... sei lá, outro clima, mais concreto, mais real.
A banda que abriu foi ótima: http://www.myspace.com/newonesofficial, ao contrário da merrequímissa e poser e chatíssima que abriu na sexta: http://www.myspaceprofiles.org/profiles/55918663.html. Com uma abertura massa, o clima foi esquentando. O show foi privê, tinha mais ou menos 50 felizardos no buteco. O Eddie parecia inspirado e o guitarrista Jordan Shapiro é muito bom (gostaria de saber o que ele carrega naquela garrafa térmica). Teve um figura de Itapura que chorava e dizia: _ Eu tô vendo o Eddie Spagetti, não acredito!
e o Eddie perguntava à platéia: _ What do you wanna hear?
E tocava todas as pedidas.
Viva o poder realizador do rock!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

De comentário a post

De cometário noutro blog, vislumbrou-se email e, saudosa de escrever aqui, evoluiu para um post.
É inegável a ruptura cultural que rola na contemporaneidade. Os aparelhos eletrônicos (aqueles que simulam um, ou mais de um, tipo de pensamento) com a cultura telemática (computador mais meios de comunicação em massa) podem pirar um simples mortal.
Eu, Pessoalmente, em frente a tabacaria, piro. Sou de uma geração que aguardava a TV da avó esfriar para ver o Raul no Fantástico. Que deliciava-se quando algum amigo sortudo me aplicava um disco importado...Cresci assim. Hoje, nem tenho TV. Explico melhor: só tenho o aparelho, declino o serviço. Qualquer canal é poltergeist quando não representa a imagem primalmente escolhida (eu sei que não é bem assim...).
Recebi uma mensagem: "fui lá, o Ultraje tocou e me lembrei muito de você. Tem coisa no site..."
Encontrei o projeto, downloads consentidos, mais que isso, (é uma paráfrase de uma fala do Roger numa gentil entrevista num blog, mas perdi o caminho...) e ele dizia que não estavam preocupados em acertar, em ter música de trabalho.
Talvez eles queiram apenas tocar no Chacrinha e have fun. Não tem mais Chacrinha? Talvez eles queiram apenas brincar, divertir-se. Eu também...
Mais: os caras têm um blog. Os últimos posts do Roger são muito legais. Me orgulho autenticamente de ter indicado o cara para a reitoria da universidade: http://viagensprivadas.blogspot.com/2008/04/vote-roger-rocha-para-reitoria.html
É isso aí Roger! Chuta o balde! Se a galera almejasse saúde, ia pedalando para suas atividades cotidianas. E depois caminharia dos bares para suas casas (porque pedalar chapado é queda na certa!). O "monopólio radical" (Illich, Convivencialidade) do automóvel pode , mas gozar a nicotina não pode? E ainda tentam justificar com o conto do "Sabemos o que é melhor para a sua saúde".
Enfim, o blog é legal, a proposta do inacabado é legal, o som do Ultraje é do caralho e de graça, consentido, é melhor ainda! Os caras criam, desafiando as ferramentas ao invés de serem programados.
Viva a força de resistência do rock!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Duas séries

Tenho gosto por novelas. Esse gênero descompromissado, leviano, que faz a vida parecer ébria. Acompanho duas séries, Lost (que prometi assistir só até o Saydi morrer, mas o gostosão continua lá, embelezando a tela) e, recentemente, Heroes. Ontem terminei a segunda temporada de Heroes. Registro aqui duas questões: todo o mundo é atípico? Será o Hiro Nakamura apaixonado pelo Robin, ops, Ado?

domingo, 5 de abril de 2009

O meu refrigerador não funciona *

Como o refrigerador dos Mutantes a minha máquina de lavar roupas, também não funciona. Telefonei na assistência técnica, autorizada pela fabricante da máquina e, a secretária após anotar o endereço da máquina enviou um técnico para especular o problema da máquina. Envolta da máquina recebo a constatação: quebrou o mecanismo. O conserto custará metade do valor de uma máquina nova."_ Tudo isso? _ A senhora sabe como é: as peças são caras, vêm de uma fábrica de outro estado, mais o custo técnico do mecânico..." Máquinas são assim... na síntese de Flusser: fixas, técnicas e teóricas, exigem todos a sua volta.

sábado, 28 de março de 2009

Tudo é espetáculo!

Dia do planeta?
Fiquei sabendo que o escritório do organizador daqui deixou as luzes acesas. ÃH?
Os caras propõem uma hora sem luz pra blá, blá, blá...e ficaram com as luzes acesas para:

a) Realizar a retirada da vesícula do Jack na praia;
b) Ler um capítulo do 1984;
c) Atender a imprensa.

E num acesso psicótico ouço o SS perguntar:

"_ Quanto vale o show Lombardi?"

sexta-feira, 6 de março de 2009

"São uns iguais aos outros, são uns iguais aos outros São uns iguais aos outros, são uns iguais aos outros" *

Collor diz que agenda de Lula é continuação da sua: http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2009-03-01_2009-03-07.html#2009_03-06_03_36_50-10045644-26

tá... e daí?

Me enoja o cara ainda ser presidente (da de infraestrutura do senado!!!) mas me revolta mesmo é o filho da puta ter a audácia de se comparar ao Prestes! Porra! Que tipo de idiotas ele pensa que somos? Que cara baixo!

Parabéns ao fotógrafo Roosewelt Pinheiro/ABr que captou a alma diabólica dos nojentos. Atenção na cara do séquito! Que escroto! Quem será a figura?

* Uns iguais aos outros (1995) Sérgio Britto / Charles Gavin

quinta-feira, 5 de março de 2009

"Que país é este?" *

'Quem tem amor ao País dará razão a Jarbas', diz FHC

http://www.correiobraziliense.com.br/html/sessao_3/2009/03/04/noticia_interna,id_sessao=3&id_noticia=85399/noticia_interna.shtml

Olha a denúncia bombástica que o senador fez: Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) denuncia que o governo federal e o Congresso Nacional convivem com rotinas de corrupção na revista Veja.

Noooossssssaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!! VEEERRRRDAAAFDDEEEEEE???????

Fui ver o tal senador na W: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jarbas_Vasconcelos

o último parágrafo merece atenção: aposentadoria (cujo valor atual ultrapassa os R$17.000) desde 1992.

Olha aí o roto falando do rasgado! Aposto que essa aposentadoria é de uma ética Spinoziana.

E quanto ao amigo que saiu para o apoio? Será que as rotinas de corrupções são novidades?

Poupem-me! Vai ser engraçadinho para presidente na PQP!

Tive uma ideinha: vamos acabar com o governo federal e com o congresso nacional! Assim resolveremos o problema dessas rotinas imundas. Só.

* Renato Russo

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Mais uma crimidéia

7 de dezembro de 1994. O grupo Bozano Simonsen e os fundos de pensão Previ e Sistel dão um lance de R$ 154,1 milhões para adquirir a Embraer, um dos maiores patrimônios industriais do país, e encerrar um dos capítulos mais conturbados da história das privatizações http://jornal.valeparaibano.com.br/2004/12/05/sjc/privat1.html
http://www.terra.com.br/istoe/1727/1727vermelhas.htm

A Embraer também revisou suas estimativas para 2009. A empresa calcula entregar 242 aeronaves no período (ante 270 na previsão anterior), com uma receita prevista de US$ 5,5 bilhões (ante US$ 6,3 bilhões). Por conta da redução da estimativa de receita, a empresa refez sua previsão de investimentos para US$ 350 milhões neste ano (ante R$ 450 milhões).

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u508365.shtml

Eu devo estar ficando maluca... em 1994 a empresa foi vendida por milhões de reais; hoje ela lucra bilhões de dólares e tem que mandar mais de 4.000 funcionários para a rua porque está sofrendo com a crise internacional? Nooosssssaaaaaaaaaa que pena da corporação! Vamos nos humilhar, deixar nossos filhos com fome até que a corporação se recupere dessa inflexão em seus lucros. Vamos contribuir tomando em buracos inusitados nosso amargo remédio até que as corporações se restabeleçam!
Digo corporações porque tem mais uma empresa brasileira caridosamente comprada por outros grupos - que também só nos dava prejuízo; tipo filho que não quer sair da adolescência: bate o carro, engravida a namorada e precisa dormir 12 horas para não atrapalhar o crescimento. Sabe como é? - que colocou muitos funcionários para fora. Pois é, vendemos essas empresas por valores risíeis, atualmente elas lucram muito mais vezes os valores que foram vendidas e ainda mandam um monte de brasileiros embora porque estão sofrendo de inflexão internacional! E na bundinha? Nada?

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Se eu fosse

do signo de gêmeos, meu horóscopo diria:

21 fevereiro 2009

Seria impossível deixar de sentir medo, mas já que este sentimento acompanha sua alma há tanto tempo, você poderia aproveitá-lo para exercitar outros tipos de atitudes em relação ao medo, não lhe parece? Isto é possível.

Até o dia do Juízo

21/02/2009 - 10h36
Corpo de Sérgio Naya deve ser velado e enterrado em Laranjal (MG)
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u507723.shtml

Esse aí é outro que foi tarde.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Inferno astral 2009

18 fevereiro 2009

Eventualmente, sua alma está envolvida em certas guerras contra adversários fora do comum, que exigem atitudes excepcionais. Porém, a verdadeira guerra é interior, entre suas aspirações superiores e seus desejos inferiores.

Porra de inferno astral onde predominam os desejos inferiores, sórdidos, aqueles que fujo o ano todo.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Na universidade a máquina de escrever perdura


Não sei quem veio primeiro, se foi o ovo ou a galinha, mas o fato é de que o homem cria e modifica as ferramentas que modificam seu pensamento e consequentemente seu viver numa relação dinâmica, dialética.
Imagino que vivemos um momento de rompimento na história da humanidade e a tecnologia digital, virtual e sua organização representa um papel.
Tenho pensado muito nisso nesses últimos dias, mais especificamente sobre as implicações que essa ruptura terá nas instituições universitárias. Meu primeiro pensamento é que a universidade de hoje, sequencial e burocráticos morrerá e um sorriso de delite corre pelo lado direito da minha boca. Logo depois tento ter uma postura branda e procuro me convencer de que a universidade representa algo além desse ambiente escolarizado, que confunde certificação com conhecimento e com se dar bem na vida e ser feliz. Viajo que é um ambiente que ainda reserva algo do ócio, da criação e reflexão. Mas alguns fatos no meu cotidiano acadêmico me dão mais certeza da morte da instituição acadêmica formal. Acredito que o comportamento das pessoas que fazem parte de uma instituição em sua maioria, reflete o pensamento da instituição como um todo. Agora vamos aos fatos: solicitei um artigo científico para uma biblioteca universitária.Apesar da web ter uma infinidade de informação com livre acesso, normalmente as revistas científicas fazem parte de um pedaço da internet que precisa de senhas, de assinaturas e de pagamentos. As bibliotecas universitárias têm maior destreza em obter esses artigos em versão digital e por um valor que depende do número de páginas do artigo e se está disponível em uma biblioteca universitária nacional ou internacional. Há anos solicito artigos na mesma biblioteca. Envio as referências e o comprovante de pagamento por email e eles me enviam os artigos.
Este ano que passou solicitei uma lista grande de artigos e a medida que eles iam chegando na biblioteca eram enviados à mim por email. Faltaram 2 artigos e semana passada enviei um email comunicando ao órgão competente e recebi uma resposta mal ajambrada dizendo que eles achavam que tinham enviado todos os artigos mas que a máquina que continha minhas cópias tinha sofrido danos e estava no conserto e que eu aguardasse sua volta. Respondi a eles que beleza, eu esperava o conserto mas que não era necessário o hardware para conferir o envio dos arquivos porque a transação foi feita por email e está lá, no espaço virtual, no histórico do email com todos os arquivos anexados. Não me responderam.
Esta semana solicitei um novo artigo e agora tenho que preencher uma ficha e realizar o pagamento. Realizei o pagamento e qual foi a minha surpresa quando abri o anexo da ficha. Me enviaram uma imagem da ficha xerocada que eles devem ter lá na biblioteca há mais ou menos 20 anos. Faz ao menos 15 anos que não vejo uma máquina de datilografia! Será que eles querem que eu imprima, datilografe os dados na ficha e vá lá na biblioteca e entregue a ficha pessoalemte? Deve ser trote. Só pode ser trote porque sou uma cliente que reclama.
Ou então as bibliotecas universitárias estão para o cativeiro da informação livresca como os mosteiros estavam para o cativeiro do latim e, como estes, sofrerão profundas quebras, modificações e quem sabe se extinguirão. Amém.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Falando em cotidiano...

o Oscar está chegando!
Acho essa premiação furada, a cara da indústria cinematográfica, injusta e comercial, mas ela me persegue.
Quando estava na faculdade, na república fazíamos a festa do Oscar. Vinho e pinga misturados com qualquer coisa doce e colorida, roupas de gala customizadas, apresentação e comentários realizados pelas meninas das humanidades, convidados ilustres, estatuetas de papel laminado e no final um baile ébrio. Nem sempre os ganhadores da rep eram os ganhadores oficiais mas a festa era divertidíssima.
Há 3 anos, com a facilidade de acesso, assistimos a lista completa dos indicados e realizamos nosso próprio julgamento. Sem baile ébrio e tals, mas mesmo assim ainda é divertido.
Dos indicados assisti 3: Vick e Cristina assisti durante as férias no cinema. As imagens de Barcelona são poucas, mas as cenas com Javier Bardem e aquele jeito artístico de "não estou nem aí" deixa qualquer fẽmea maluca. O curioso caso de Benjamin Button é legal. Uma boa estória sustenta qualquer apresentação. Ontem assisti Quem quer ser um milionário? Romance legal, bem costurado com cenas coloridas da misteriosa Índia. Imperdível é o clipe com inspiração no Triller do Michael que os atores protagonizam no final. Coreografia bizarra.
No ritmo do abaixa, abaixa aguardo mais indicações.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Minhas férias

Primeiro post do ano. Intitulei o post e achei brega. Uma semana depois volto à ele.
Natal: família eh, família ah. Toda ela envolta da minha mãe viúva 2 x, órfã de filho, na casa centenária da família. Foi legal, comemos pra caramba, amigos vieram visitar e a criançada brincou.
Dia 26 tomamos o chopp mais cremoso de SP num buteco na Sta. Efigẽnia e dia 27 estávamos no litoral norte de SP: Camburi. Praia de surf e limpa.
A caminho do camping descobrimos que as ruas de terra receberam pavimento e que a ponte de madeira havia sido substituída por concreto onde super carros rodavam. Uma fila de condomínios dominou completamente a vista da praia.
Acampamos sob a sombra do jambolão.
Assim que a pequena viu a praia exclamou: "é a praia mais bonita do mundo!" Bons presságios vieram.
Na virada do ano o camping contava com 120 barracas, mais ou menos 300 pessoas.
Muitas crianças e a pequena fez várias amizades. Se deleitou com as variadas tatuagens das diversas tribos. Todas as noites convidava os amigos para jantarem. Pescados suculentos pululavam da churrasqueira jengis kan.
Amiga habitué era Isa. Uma graça. Um dia, curiosa com a vida na barraca adentrou com a pequena. Foi logo dizendo: "_ Não pode deitar na cama com as cobertas desdobradas!" E passou à aula de dobrar cobertas. A pequena relutou, disse que não precisava, mas acabou consentido com a aula teórica-prática recheada de reflexões morais e supersticiosas sobre a necessidade de dobrar as cobertas.
Outra figura: chileno fugido com os pais da ditadura. "_ Não pago nenhum imposto, não senhor!" exclamou certo entardecer. Outra pérola da figura: "_ Mina que fica muito cheia de conversinha na noite...se sentindo... vou logo pedindo 5 real emprestado. Vaza rapidinho!" E rimos muito pelos 4 dias chuvosos do início do ano.
O sol voltou e o camping já estava praticamente vazio. Quando não estávamos na praia a pequena brincava com outras crianças pelo terreno. Teve bolo de lama, pega pega, bola e corda amarrada nas árvores. Uma delícia. Agora, no apartamento ela de vez em quando pergunta: "_ Mamãe, você se lembra de quando estávamos na praia?"
Me lembro e sinto saudade da brisa do mar.
O jeito agora é se entreter com o cotidiano e esperar até as próximas.


I